O Carnaval é mais do que uma festa; é um fio que une gerações através da alegria e da tradição. Nas comunidades de Cabileira e Beberibe (especificamente no sítio Brejo Preto), essa chama ardeu com intensidade, deixando saudades e lições de amizade que merecem ser registradas para que o tempo não as apague.
1985: O Nascimento da Tradição
Tudo começou em 1985, quando a irreverência tomou conta de Cabileira. Heleno Henrique (conhecido como Heleno de Pedro Firmino) e o saudoso João Carlos Leite (o João Batata) decidiram que o carnaval não passaria em branco. Vestidos de mulher e acompanhados por uma autêntica alaursa, eles formaram o primeiro bloco da localidade.
O grupo, munido de diversos instrumentos, percorria as casas da vizinhança, transformando a rotina dos moradores em um espetáculo de som e riso.
O Brilho de Beberibe e a Bandeira de Zabé
Simultaneamente, no setor de Beberibe, o famoso Brejo Preto mantinha sua própria cadência sob o comando de Isabel Joventina, a querida Zabé de Antônio Cabacinha. Este bloco tinha uma identidade única:
Composição: Formado por Zabé, suas filhas e outras mulheres da comunidade.
Musicalidade: O som era o legítimo regional, com sanfona, zabumba, triângulo e um apito para os comandos.
O Ritual da Bandeira: Ao chegarem nas casas, a porta-bandeira entregava o pavilhão à dona da casa, que prendia doações em dinheiro com broches. Após a dança e o agradecimento, o bloco seguia viagem, culminando em um grande forró na casa de Zabé após os três dias de folia.
Tempos de Transição e Despedidas
Infelizmente, a vida impôs pausas à festa. Em 1987, Dona Zabé adoeceu, e o comando passou para Bernardino, Maria de Enoque e João Mariano, que resistiram até 1989. Entre partidas para outros estados (como São Paulo) e o falecimento de foliões queridos, os blocos originais acabaram sendo extintos, mas o espírito carnavalesco permaneceu latente.
2011: O Surgimento do Bloco "Embola"
Após anos de silêncio, a folia renasceu em 2011 pelas mãos de Severino Trino (Biu de Lau), com o apoio de amigos como Siqueira, Felipe, Bernardino e Oma. Assim nasceu o Bloco Embola.
Curiosidade do Nome: O nome "Embola" surgiu de uma conversa entre o empresário Rodrigo, Siqueira e Biu de Lau. Como Biu morava na parte alta do Brejo Preto, o veredito foi unânime: para descer aquela serra, só "embolando" — especialmente se o folião já tivesse tomado algumas doses para celebrar!
O bloco evoluiu visualmente ao longo dos anos:
2011: Sem padronização.
2012: Camisas amarelas.
2013: Camisas verdes (produzidas por Rodrigo, que infelizmente sofreu um acidente antes da festa, sendo homenageado pelos amigos).
O Último Suspiro: Caça Cachaça
O registro mais recente de resistência cultural ocorreu entre 2018 e 2019, com o bloco "Caça Cachaça", organizado por Wellington Fonteles, Dudu e Gabriele. Desde então, as ruas aguardam por novos foliões que se disponham a carregar o estandarte da alegria.
Um Apelo à Tradição
A história de Cabileira e Beberibe é feita de nomes próprios, apelidos carinhosos e muita superação. Personagens como João Batata e Biu de Lau já partiram, mas o legado de "levar alegria de casa em casa" não pode morrer. Fica a esperança de que a nova geração de foliões resgate o apito, a sanfona e o desejo de manter viva a identidade cultural dessas terras.
Que venham os próximos blocos!
Informações e imagens professora Luciana Alves

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