
Estadão
Em uma eleição presidencial já polarizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) enfrenta dificuldades para formar palanques estaduais. Apesar do respaldo de Gilberto Kassab (PSD), ele não terá apoio dos candidatos a governador do PSD ou dos nomes apoiados pelo partido nos quatro principais colégios eleitorais do País. Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia somam 48% dos eleitores.
Para contornar esse cenário, o entorno de Caiado aposta que os prefeitos do PSD em parte desses Estados poderão compensar a ausência de apoio formal. Aliados também afirmam que ele terá o suporte de Eduardo Leite (PSD) e Ratinho Jr. (PSD), dois nomes com projeção nacional, além da possibilidade de mudanças no quadro até o início da campanha, em agosto.
No Nordeste, a situação também impõe desafios. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), busca o apoio, ou ao menos a neutralidade, do presidente Lula na disputa contra o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Embora não tenha se posicionado publicamente, a tendência é que ela não ofereça palanque a Caiado. Aliados lembram que Raquel não se manifestou quando o nome dele foi lançado como pré-candidato do partido e destacam ainda a influência do ministro da Agricultura, André de Paula, que preside o PSD no Estado.
No Rio de Janeiro, considerado o cenário mais delicado, o prefeito Eduardo Paes (PSD) já declarou apoio a Lula. “Tenho enorme respeito pelo governador Caiado, mas meu candidato a presidente é um só: Lula. O PSD do Rio também estará com o presidente”, afirmou ao Estadão. A avaliação entre aliados de Caiado é que há pouco espaço de manobra, já que o Estado é berço político da família Bolsonaro e concentra forças do centro à direita alinhadas a Flávio.
Kassab minimiza o impacto da falta de alianças estaduais e argumenta que esse fator perdeu peso nas últimas eleições. Segundo ele, as redes sociais permitem comunicação direta com o eleitorado. “Bolsonaro se elegeu presidente sem partido [aliado], e Pablo Marçal quase ganhou a Prefeitura de São Paulo dessa forma”, afirmou. Ainda assim, o PSD pretende montar comitês em Estados estratégicos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, para tentar viabilizar a candidatura.
Em São Paulo, aliados acreditam que a ausência de apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tende a apoiar Flávio Bolsonaro, pode ser parcialmente compensada pela base municipal do PSD. A expectativa é que os mais de 200 prefeitos do partido no Estado tenham papel ativo na campanha.
Em Minas Gerais, o cenário também é de cautela. O governador Mateus Simões (PSD) prioriza a aliança com Romeu Zema (Novo), de quem foi vice. Dirigentes do partido no Estado afirmam que, caso Zema mude de posição na disputa presidencial, o tema poderá ser reavaliado. Enquanto isso, o PSD aposta na sua estrutura local, que inclui cerca de 170 prefeitos e a maior bancada na Assembleia Legislativa.
Na Bahia, a estratégia passa por alianças fora do partido. A tendência é que ACM Neto (União Brasil) apoie Caiado, embora ainda haja dúvidas sobre um eventual palanque duplo com Flávio Bolsonaro. A equipe do pré-candidato do PSD avalia essa possibilidade como remota, considerando o histórico político do Estado, governado pelo PT há duas décadas.
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postado por Altinhoshow
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