A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) retoma oficialmente os trabalhos nesta segunda-feira (2), com a realização da primeira reunião plenária ordinária de 2026. A sessão marca a abertura do ano legislativo e contará com a leitura da tradicional mensagem da governadora Raquel Lyra, mas o rito institucional ocorre em meio a um ambiente de forte tensão política e embates cada vez mais explícitos entre governo e oposição.
O clima já vinha se deteriorando mesmo durante o recesso parlamentar. Os confrontos se davam por meio de notas oficiais, entrevistas e postagens nas redes sociais. No fim de semana, porém, as trocas de acusações entre a governadora e o prefeito do Recife, João Campos — principal nome da oposição e adversário direto no tabuleiro eleitoral — elevaram o tom do embate. Com o retorno das sessões, a disputa sai do ambiente virtual e ganha o plenário, justamente no início de um ano marcado pela corrida eleitoral.
Combustível não falta para alimentar o fogaréu. A oposição na Alepe ganhou reforço após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que determinou a atuação da Polícia Federal para investigar suspeitas de perseguição política dentro da Secretaria de Defesa Social.
Apesar de o próprio ministro ter barrado investigações do Ministério Público de Pernambuco em outras secretarias do Estado, o tema deve ocupar o centro dos ataques e contra-ataques entre situação e oposição. Soma-se a isso o pedido de impeachment da governadora, protocolado pelo deputado Romero Albuquerque, que deve começar a tramitar nesta segunda, embora a expectativa seja de que não avance, já que Raquel Lyra mantém maioria na Casa.
O cenário aponta para um ano legislativo intenso, com debates duros e discursos cada vez mais alinhados à disputa eleitoral. De um lado, a base governista tenta sustentar a gestão e conter o desgaste político. Do outro, a oposição aposta no confronto direto para fragilizar o governo e pavimentar o caminho para 2026.
Com Raquel Lyra e João Campos no centro da arena, a Alepe promete ser um dos principais palcos da batalha política em Pernambuco.
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