O Governo de Pernambuco deve divulgar até a próxima segunda-feira o nome da empresa de transporte coletivo que assumirá as linhas intermunicipais anteriormente operadas pela Logo Caruaruense. A definição ocorre dias após a nomeação do advogado Yuri Coriolano como novo presidente da EPTI – Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal.
A Logo Caruaruense, pertencente à família da governadora Raquel Lyra, devolveu as linhas após uma crise política provocada por denúncias da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Parlamentares questionaram a suposta falta de fiscalização das atividades regulares da empresa, acusação que foi rebatida publicamente nesta semana pelo deputado estadual Antonio Moraes, que negou irregularidades no acompanhamento feito pelo Estado.
De acordo com a legislação, a nova operadora deverá ser escolhida entre empresas que já atuam no sistema de transporte intermunicipal do interior. Entre as atuais concessionárias, apenas a empresa 1002, que opera na Mata Norte, estaria fora da disputa por não reunir condições financeiras para assumir novas linhas. Segundo relatos, a situação econômica da empresa é considerada ainda mais delicada do que a enfrentada pela própria Logo Caruaruense.
Empresários do setor ouvidos pelo blog do MF alertam que a empresa escolhida terá grandes desafios para manter a operação. O principal deles é a concorrência direta com o transporte alternativo feito por carros de passeio, que hoje realizam cerca de 300 viagens diárias para Caruaru — sendo aproximadamente 150 de ida e 150 de volta — transportando, em média, sete passageiros por veículo. O aplicativo blablacar hoje é o principal predator do setor, já que roda no estado sem nenhuma fiscalização ou pagamentos de impostos.
Enquanto isso, os ônibus do sistema regular têm conseguido operar apenas cerca de 30 viagens por dia, somando idas e voltas, muitas vezes sem alcançar a lotação máxima. “É igual às kombis do Grande Recife antigamente”, comparou um empresário do setor, que pediu para não ser identificado.
O empresário também destacou a falta de políticas de apoio ao transporte intermunicipal do interior. Diferentemente do transporte metropolitano, que no passado recebeu incentivos e passou por reorganização durante o governo Jarbas Vasconcelos, o sistema do interior não conta com subsídios estaduais, nem com isenção de impostos como IPVA e ICMS sobre o combustível.
“Ou isso é corrigido, ou o interior pode acabar ficando sem um sistema regular de transporte coletivo”, alertou. A expectativa agora gira em torno do anúncio oficial do Governo do Estado e das medidas que poderão ser adotadas para garantir a sustentabilidade do serviço e evitar um colapso no transporte intermunicipal pernambucano.
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