Raquel venceu mais essa”. A frase, dita por uma liderança política muito vinculada à governadora Raquel Lyra, resume o sentimento que tomou conta do Palácio após a confirmação de que o Partido Progressistas seguirá no projeto de reeleição da gestora. O suspense que pairou ao longo do dia não era trivial. Embora o PP integre a base desde o início da atual administração, a consolidação da Federação União Progressista — que une o Progressistas ao União Brasil — havia reaberto o jogo e alimentado especulações.
Do outro lado da disputa estava o prefeito do Recife, João Campos, pré-candidato ao Governo de Pernambuco em 2026. O gestor recifense conta com o alinhamento do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, hoje no União Brasil, que trabalha para viabilizar seu projeto ao Senado. A federação, portanto, tornou-se peça estratégica no xadrez eleitoral, com potencial para pender a balança.
Mas, ao contrário do que se imaginava, não houve necessidade de reunião formal para sacramentar a decisão. Desde a manhã dessa segunda (23), o deputado federal Eduardo da Fonte percorreu, por telefone, deputados estaduais, federais, prefeitos e lideranças do partido. O resultado foi descrito como unânime: todos defenderam a manutenção da aliança com a governadora.
A unanimidade não nasceu por acaso. É fato que o PP ocupa espaços relevantes na estrutura administrativa estadual, mas o fator decisivo, segundo relatos internos, foi o “trabalho de formiguinha” de Raquel Lyra. A governadora construiu pontes individuais com parlamentares e prefeitos progressistas, fortalecendo vínculos políticos e pessoais. “Ela criou um vínculo com todos nós”, resumiu um prefeito da legenda, ecoando a percepção que se consolidou especialmente após dois encontros recentes entre Raquel e Eduardo da Fonte, nos quais a gestora solicitou uma definição célere.
o que ainda está em aberto
Se a permanência do PP no palanque de Raquel está assegurada, uma variável permanece no horizonte: a candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado. A nota oficial não crava o nome do deputado na chapa majoritária, mas o gesto político foi claro ao afirmar que a reeleição será construída “a quatro mãos”. O recado é direto: o PP quer protagonismo.
Eduardo aguarda a homologação da federação pelo Tribunal Superior Eleitoral, prevista para março, quando assumirá formalmente a presidência estadual do novo agrupamento. Pelo estatuto, caberá a ele conduzir as composições políticas em Pernambuco. A expectativa é de que, a partir daí, as definições sobre as duas vagas ao Senado avancem.
Nos bastidores, comenta-se que a governadora já teria sinalizado com a possibilidade de as duas cadeiras ficarem com a federação — abrindo espaço tanto para Eduardo quanto para Miguel Coelho. Mas, antes da formalização do novo bloco partidário, qualquer anúncio seria precipitado.
vitória estratégica
O desfecho desta segunda-feira tem peso simbólico e prático. Simbólico porque demonstra a capacidade de articulação da governadora em meio a um cenário de disputa antecipada. Prático porque consolida, ao menos neste momento, um dos maiores partidos do Estado em seu projeto de reeleição.
A federação, que passará a se chamar União Progressista, nasce como a maior força partidária do país em número de parlamentares e prefeitos. Em Pernambuco, sob o comando de Eduardo da Fonte, será peça central na definição dos rumos de 2026.
Ao garantir o PP, Raquel Lyra não apenas mantém uma base robusta — ela envia um sinal claro de que continuará disputando cada apoio estratégico. No xadrez eleitoral que começa a ganhar contornos mais nítidos, a governadora fez seu movimento. E, desta vez, saiu na frente.
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